15 janeiro 2009

Dois Ramalhetes de Quadras Populares

recolha de: José Gomes Quadrado
 
QUADRAS LÍRICAS

 As meninas dos meus olhos
são duas pobres mendigas,
sempre a pedirem esmolas
aos lábios das raparigas.

 Ó meu amor quem te vira
trinta dias cada mês,
sete dias na semana,
a cada instante uma vez.

 Deus queira, saindo à rua,
sejam falsos os teus passos.
Que tropeces nos meus olhos
e me caias nos meus braços.

 Costumei tanto os meus olhos
 a namorarem os teus,
que, de tanto os confundir,
já nem sei quais são os meus.

 Quem bem ama, nunca esquece
a quem ama. – E tanto assim
que, de tanto que me lembras,
ando esquecido de mim.

 Como o vento é para o fogo,
é a ausência p`ró amor:
Se é pequeno, apaga-o logo;
se é grande, torna-o maior.

 Ausência tem uma filha
que se chama Saudade;
eu sustento mãe e filha,
bem contra a minha vontade.

 Toma lá meu coração
e a chave p`ró abrir.
Não tenho mais que te dar,
nem tu mais que me pedir.

 Se cair a tarde triste,
Com ar de que vai chover;
não te esqueças dos meus olhos,
que choram por te não ver.

 Quatro letras mal escritas…
Olha, amor, o que te digo:
Já fui aprender a ler
para me escrever contigo.
QUADRAS FILOSÓFICAS

 -Pobreza não é vergonha
nem devia ser tristeza:
Vergonha é ter, como tantos,
Pão alheio em sua mesa…

 São parvos, não rias deles,
dos outros dizemos nós.
Às vezes rimos daqueles
que valem mais do que nós.

 Não te faças mais do que eu,
que não és menos nem mais;
debaixo da terra fria,
todos seremos iguais.

 Eu não sei por que razão,
alguns homens, a meu ver,
quanto mais pequenos são
maiores querem parecer.

 Coitado de quem é pobre,
triste de quem nada tem;
quem é rico sempre é nobre
“Inda” que seja um ninguém.

 Tudo muda neste mundo,
só o mal não tem mudança.
O bem de ontem é saudade,
o bem de hoje é esperança.

 - Ouve muito, e fala pouco.
Aprende com paciência.
Em sabendo que não sabes,
chegaste à melhor ciência.

 Não compres mula manca,
pensando que há-de sarar;
nem cases com mulher má
cuidando que há-de amansar.

 Quando o loureiro der baga
e a cortiça for ao fundo,
só então hão-de acabar
as más línguas neste mundo.

 Que serve chorar agora,
se já remédio não tem?
Se o chorar fosse remédio,
chorava eu mais que ninguém!
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Que grande poeta é o POVO!

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