30 janeiro 2009

Ainda o Branco, nas Mós

Enviado por: Andreia Polido de Almeida

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"Sexta-feira, dia 9 de Janeiro, tive conhecimento que estava a nevar nas Mós... espectáculo raro neste vale... Movida pela paixão que sinto por esta terra, cancelei compromissos e não pensei duas vezes em fazer a viagem de Estarreja para a minha querida Mós. Apesar de estar ciente que a neve tem tanto de perigoso como de belo, resolvi arriscar! E o resultado dessa aventura, decidi partilhá-lo (...), pois sei que o "vosso" sentimento em relação às Mós é tão puro como esta neve.

Finalizo com alguns dos pensamentos que me ocorreram ao desfrutar destas lindas paisagens:

Ao chegar ouvi dizer: Que briol! Eu por ti só sinto brio Mesmo que não brilhe o sol! Que surpresa! Que encanto! Ao desvendar teu manto branco! Bem tentou Michelle Obama Deslumbrar como esta dama!"


29 janeiro 2009

Mosense nas Legislativas Francesas

Anne Marie Passeira Mouchet, foi um dos seis luso-descendentes candidatos à Assembleia Nacional Francesa que passaram à segunda volta das legislativas de 2007.
Cabeça de lista na região de Toulose pelo partido do presidente Sarkozy, a mosense Anne-Marie, filha de José Passeira e Edite Ferronha, acabaria por não conseguir a eleição.


21 janeiro 2009

Santa Bárbara - Capela e Miradouro


Santa Bárbara
Invocada contra as trovoadas e contra a morte súbita
A Santa Bárbara é atribuído preservar os seus devotos de morte repentina, naturalmente por alusão ao pai incrédulo que termina fulminado. Segundo os Livros de Horas pedia-se: “fazei Senhor, que, por intercessão de Santa Bárbara, obtenhamos receber, antes da morte, o Sacramento do Corpo e do Sangue de Nosso Senhor Jesus Cristo”. Por isso é a Santa representada muitas vezes segurando um cibório encimado pela Hóstia. É também invocada contra as trovoadas, com a seguinte oração:
Santa Bárbara bendita, Que no céu está escrita, Com raminho de agua benta, Livrai-nos desta tormenta. Santa Bárbara bendita Se vestiu e se calçou, Ao caminho se deitou, Jesus Cristo encontrou E Ele lhe perguntou: -Onde vais Bárbara? -Vou amarrar a trovoada, Que no Céu anda espalhada. -Bota-a p´ra bem longe, Onde não haja sinos a tocar,
Galos a cantar, E meninos a chorar. Nem raminhos de oliveira Nem pão, nem vinho, Nem flor de rosmaninho, Nem mulheres com meninos Nem vacas com bezerrinhos, Nem gadinhos de lã, Nem bafinho de alma cristã. Mas haja uma serpente, com 24 filhos a olhar sem ter nada que lhes dar, Só água de trovão, E leite de maldição.
É padroeira dos fogueteiros e fabricantes de fogo de artifício, dos mineiros que lidam com explosivos e, devido à torre onde estava prisioneira, dos encarcerados e também dos pedreiros e arquitectos. É também padroeira dos sineiros, dos tecelões e chapeleiros.
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O miradouro de Santa Bárbara, 
é local obrigatório para quem visita as Mós _________________________________________________________________________

fozcoajer.fotos

A paleta do silêncio
De Santa Bárbara
vê-se o sol a escorregar
pelo fio do horizonte
e cair qual gota de orvalho
nas margens do silêncio
É um silêncio raro e perfeito
povoado de vazio e de luz
aquele que se sente
aqui
no cume da serra
Fugidias sombras correm
pelas giestas e carrascos
como cães esfaimados
em busca
de uma furtiva perdiz

Quando as cores do poente
se derramam
pelo leito refulgente do Douro
o rio de xisto
que veste as terras de tons ocres
embebeda-me os sentidos
e inebria-me de prazer
É com essa paleta
e nessas águas subterrâneas
que crio novas simetrias

V. Solteiro, Mós (do Douro), 2004
(a arquitectura das palavras)

15 janeiro 2009

Dois Ramalhetes de Quadras Populares

recolha de: José Gomes Quadrado
 
QUADRAS LÍRICAS

 As meninas dos meus olhos
são duas pobres mendigas,
sempre a pedirem esmolas
aos lábios das raparigas.

 Ó meu amor quem te vira
trinta dias cada mês,
sete dias na semana,
a cada instante uma vez.

 Deus queira, saindo à rua,
sejam falsos os teus passos.
Que tropeces nos meus olhos
e me caias nos meus braços.

 Costumei tanto os meus olhos
 a namorarem os teus,
que, de tanto os confundir,
já nem sei quais são os meus.

 Quem bem ama, nunca esquece
a quem ama. – E tanto assim
que, de tanto que me lembras,
ando esquecido de mim.

 Como o vento é para o fogo,
é a ausência p`ró amor:
Se é pequeno, apaga-o logo;
se é grande, torna-o maior.

 Ausência tem uma filha
que se chama Saudade;
eu sustento mãe e filha,
bem contra a minha vontade.

 Toma lá meu coração
e a chave p`ró abrir.
Não tenho mais que te dar,
nem tu mais que me pedir.

 Se cair a tarde triste,
Com ar de que vai chover;
não te esqueças dos meus olhos,
que choram por te não ver.

 Quatro letras mal escritas…
Olha, amor, o que te digo:
Já fui aprender a ler
para me escrever contigo.
QUADRAS FILOSÓFICAS

 -Pobreza não é vergonha
nem devia ser tristeza:
Vergonha é ter, como tantos,
Pão alheio em sua mesa…

 São parvos, não rias deles,
dos outros dizemos nós.
Às vezes rimos daqueles
que valem mais do que nós.

 Não te faças mais do que eu,
que não és menos nem mais;
debaixo da terra fria,
todos seremos iguais.

 Eu não sei por que razão,
alguns homens, a meu ver,
quanto mais pequenos são
maiores querem parecer.

 Coitado de quem é pobre,
triste de quem nada tem;
quem é rico sempre é nobre
“Inda” que seja um ninguém.

 Tudo muda neste mundo,
só o mal não tem mudança.
O bem de ontem é saudade,
o bem de hoje é esperança.

 - Ouve muito, e fala pouco.
Aprende com paciência.
Em sabendo que não sabes,
chegaste à melhor ciência.

 Não compres mula manca,
pensando que há-de sarar;
nem cases com mulher má
cuidando que há-de amansar.

 Quando o loureiro der baga
e a cortiça for ao fundo,
só então hão-de acabar
as más línguas neste mundo.

 Que serve chorar agora,
se já remédio não tem?
Se o chorar fosse remédio,
chorava eu mais que ninguém!
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Que grande poeta é o POVO!

12 janeiro 2009

AS MÓS, PINTADA DE BRANCO

24 horas depois da neve ter caído nas Mós, na tarde do dia 9 de Janeiro, 
a nossa aldeia mostrava-se assim: - Pintada de Branco!
Diz quem sabe, que já há bons pares de anos que não nevava tanto.
fotos de: CCorreia


BALADA DA NEVE  

Batem leve, levemente, 
como quem chama por mim... 
Será chuva? Será gente? 
Gente não é, certamente 
e a chuva não bate assim... 
É talvez a ventania; 
mas há pouco, há poucochinho, 
nem uma agulha bulia 
na quieta melancolia
dos pinheiros do caminho...
Quem bate, assim, levemente, 
com tão estranha leveza, 
que mal se ouve, mal se sente? 
Não é chuva, nem é gente, 
nem é vento, com certeza. 
Fui ver. A neve caía 
do azul cinzento do céu, 
branca e leve, branca e fria... 
Há quanto tempo a não via! 
E que saudade, Deus meu! 
Olho-a através da vidraça.  
Pôs tudo da cor do linho. 
Passa gente e, quando passa, 
os passos imprime e traça 
na brancura do caminho... 
Fico olhando esses sinais 
da pobre gente que avança, 
e noto, por entre os mais, 
os traços miniaturais 
de uns pezitos de criança... 
E descalcinhos, doridos... 
a neve deixa inda vê-los,  
primeiro, bem definidos, 
- depois em sulcos compridos, 
porque não podia erguê-los!... 
Que quem já é pecador 
sofra tormentos... enfim! 
Mas as crianças, Senhor, 
porque lhes dais tanta dor?!... 
Porque padecem assim?! 
E uma infinita tristeza, 
uma funda turbação entra em mim, 
fica em mim presa.  
Cai neve na natureza...  
– e cai no meu coração.  

Augusto Gil - Luar de Janeiro, 1909

10 janeiro 2009

Reunião de Mordomos - Festa 2009

Convocatória
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A comissão 2009 das festas a Nª Srª da Soledade, convoca todos os mordomos para uma reunião a realizar no dia 17 de Janeiro pelas 21 horas na sede da junta de freguesia.

08 janeiro 2009

PEQUENOS CONTOS DE RAIZ TRADICIONAL

Adaptação de J.G. Quadrado
Na origem deste despretensioso trabalho esteve um projecto que consistia em recordar contos que aprendi e contei quando vivi nas Mós. Mas tratando-se de narrativas com feição moralizante e/ou demasiado ingénuas, pareceram-me pouco apropriadas para a generalidade dos meus pacientes leitores. Preferi, portanto, aproveitar alguns chistes ou ditos graciosos que memorizei e com eles “tecer” as facécias a seguir apresentadas, com alguma esperança de vos entreter e fazer rir.
1 – Ó BREVES DIAS DE MAIO!
- “Quando o Maio chegar, quem não arou tem de arar” – senão – “há-de chorar”. Prevenido pela velha sabedoria popular, o Alfredo saiu de casa, ainda o Sol mal rompera, com a intenção de lavrar uma terra que tinha na outra banda do nosso ribeiro. Seguia com o arado radial ao ombro, para atravessar a cascalheira e a pouca água que corria, quando encontrou a Rosinda, sua namorada, que trazia na cabeça um grande cesto de roupa para lavar. Viram-se, aproximaram-se e juntinhos ficaram, enternecidos, a namorar… Só quando já anoitecia se aperceberam que tinham passado ali juntos o dia inteiro. E ela, insatisfeita e triste, a caminho de casa e com a roupa por lavar, suspirando, desabafou queixosa:
- Ó breves dias de Maio, Dias da minha amargura: Tão depressa amanhecem Como ficam noite escura!
2 – OLHA PARA MIM, MEU AMOR!
Quase todas as noites a Celeste interpelava o namorado: - Então, ó Zé, quando casamos? E ele, invariavelmente, respondia: - Tu não vês, rapariga, que são raras as jeiras, e assim não teremos o suficiente para o nosso sustento. Eu não quero que te digam, como disseram à outra: “Casa-te e verás: perdes sustento e mal dormirás”. Após alguns meses a ouvir a mesma prevenção, ela passou a responder-lhe assim: - Lá vens tu com a lengalenga do casa-te e verás. Depois de nos casarmos, podendo eu estar sempre a olhar para ti, nunca sentirei fome, podes crer! Tanto insistiu com esta e outras ternuras, que acabou por convencer o Zé, e casaram. Com a entrada do Inverno terminaram as jeiras. Depois, gastaram o pouco que tinham e acabaram por perder o crédito no “soto”. E quando já não tinham que comer, a Celeste repetidamente queixava-se: - Ó Zé, meu querido, tenho tanta fome… E ele sossegava-a, dizendo-lhe: - Olha para mim, meu amor! Ela, resignada, calava-se. Mas quando a fome era já de três dias, substituiu o queixume manso por um protesto colérico: - Eu não aguento mais esta fome, catano! Maldita a hora… Ele, interrompendo-a, repetiu docemente: - Olha para mim, meu amor! - Pois sim, mas estou tão farta de olhar para ti, que já me pareces o Diabo do Inferno!!!
3 - NÃO FOI ELA QUE VENDEU OS BOIS!
Em toda a aldeia e talvez em no concelho não havia junta de bois comparável à do Abílio. Andava ele a lavrar num chão que tinha perto dos 40 Pães, quando passou no caminho que o sobranceia um grande proprietário residente em Freixo de Numão. Parou o cavalo e pôs-se a apreciar os belos e esforçados bois. E quando abriam o último sulco, muito próximo da borda do caminho, o cavaleiro perguntou: - Ouça lá, quer vender-me essa junta de bois? - Depende, se está na disposto a pagar-me 60 notas por ela, vendo-lha já. - Negócio fechado. Leve os bois a casa do meu caseiro que eu vou a Freixo buscar o dinheiro. O Abílio chegou a casa, corado e a cheirar a vinho fino. A Matilde, assustada, gritou: - Onde deixaste os bois, Abílio? - Vendi-os a um fidalgo de Freixo, por 60 notas. - Trabalhos te persigam a ti mais às 60 notas! Agora, onde irás tu desencantar uma junta de bois como aquela? - Não te aflijas que eu a encontrarei numa feira Apesar da resposta apaziguadora do Abílio, os “ralhos” da Matilde foram tantos, que nem jantou! E tão arreliada se manteve, que acabou por ir para a cama mais cedo. E o homem não tardou a deitar-se também. Mortinho pela reconciliação, sorrateiramente, tanto se aproximou da companheira que a porra do Abílio cresceu e o manhoso “repreendeu-a”: - Está quieta, não vês que a patroa está arrenegada connosco? A Matilde virou-se para o homem e disse, terminante: - Deixa-a vir! Não foi ela que vendeu os bois!
4- NÃO HÁ MÉ, NEM MEIO MÉ!
Durante a manhã chuvosa, o pastor João ficara retido em casa para não agravar o reumatismo que o apoquentava. Quando o céu desanuviou e ele se preparava para ir ao encontro da mulher que o substituíra, bateu-lhe à porta um rapaz a pedir emprego. Mirando-o de alto a baixo, perguntou-lhe: - Donde vens tu? - De Coleja. - Já foste pastor? - Sim, andei muito tempo na companhia do meu irmão mais velho a guardar gado. - Duvido que sejas capaz de ordenhar sessenta ovelhas… - Não duvide, pode crer que sou capaz! - Bem, então anda daí. Depois da conversa que tiveram enquanto caminharam, o João ficou com muitas dúvidas sobre as afirmadas competências, e logo pensou na maneira de as pôr à prova. Assim, quando chegaram junto do rebanho, com alguma ironia, disse para a mulher: - Ó Ana, regressa a casa descansada que eu também não tardarei, porque temos aqui um “artista” capaz de tomar conta do gado. Manquejando, foi acompanhando o moço para lhe indicar onde ficava o bardo, ao mesmo tempo que lhe ia ministrando as últimas instruções: - Ao fim da tarde, vais ordenhando e metendo uma a uma no bardo. No fim, esperas que eu chegue, para levares o leite para casa e ceares. E só depois verei se valerá a pena contratar-te. Fingiu que regressava a casa, mas ficou a observá-lo sem ser visto. Ao entardecer, foi-se aproximando do bardo, para ver como se desunhava o moço na ordenha. Não tardou a ouvir uma rês a soltar incessantes balidos. Já muito próximo, escondido atrás duma parede, espreitou e ouviu o improvisado zagal resmungar: - Não há mé, nem meio mé: tens que dar quartilho e meio como as outras! O João ergueu-se de repente e gritou: - Ah, ladrão! Que matas o carneiro!
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O riso é a distância mais curta entre duas pessoas. (Victor Borge)


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