30 abril 2011

Mensagem do meu coração

Encosto à janela minha face pousada nas minhas mãos. Olho através da vidraça, faz calor. Uma lágrima furtiva rola até ás mãos...solto-me desta minha realidade e deixo-me vaguear por aqui e por ali. Mas...que saudade tão no hoje! De passado que embora longe faz-me sentir o cheiro a terra quente, o trautear do burrinho nas fragas, os sininhos do rebanho pela montanha acima, o eco da voz do pastor empurrando seu gado, o galo que canta e o som do sino da igreja...Tudo está ali em meu coração! Tudo tão presente! Movo meu corpo e entro na cozinha. Logo me vem o cheiro daquela sopa que dentro da panelinha de ferro pousada nos seus três pés deixa inalar o cheiro a grão...
Sinto muita saudade! Saudade de meus avós que pela força das circunstâncias só via durante um pequeno período quando estava de férias.
Mas que ansiedade eu sentia na aproximação desse mês, Setembro, quando já de férias esperávamos o comboio em S. Bento e embarcando, só chegaríamos à estação de Freixo de Numão ao cair da tarde! Tremia ao aproximar da estação. Depois avistávamos o avô Manuel, santo homem, paciente, que a ninguém fazia senão cumprir todas as obrigações para que nada nos faltasse!
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26 abril 2011

A Caminho dos Montes - (Paulo Almeida)

Com sono, de partida para o mundo das lembranças, não resisto a deixar no gabinete algumas fotografias tiradas do paraíso, donde se miram as estrelas.
 
É muito suave a brisa que me balouça em carreiro agitado, pelas margens do Douro, errante no traçado de aço que alberga comboios e ilusões. Mais uma vez sigo viajem, na companhia do rio, com o passado e com o presente, com a paisagem circundante, de casas e seus residentes, para um reencontro com a emoção. Ao desfolhar umas folhas velhas imprimidas, desvendo, ainda em silêncio, as palavras de um mosense para quem o tempo, as gentes e todas as outras coisas são evocações a malhar a idade. Cerro os olhos e permito que o pensamento regrida para um qualquer ocaso perdido, em Setembro há muito passado.
Do cimo do monte, o manto retalhado dos campos e o traçado do xisto confere uma magia de diorama à paisagem transmontana. Aqui se percebe, melhor que em qualquer outro lado, a beleza perfeita do delineamento entre o céu e as montanhas. Do verde ao azul, utilizei colorações para retratar este instante, mas a minha paleta de cores talvez não pareça na sua totalidade. O desenho está, contudo, incompleto. Falta, e faltará sempre, lembrar os que descansam, os antepassados, que o incontornável destino e a influência poderosa do tempo não permitiu a vida perdurar.
De costas para o Douro avisto a árvore, outrora mais idosa e frondosa, com a rosácea aberta a espiar arregalada, espantando-se de tudo e sem saber porquê. O Terreiro, largo e sombrio, mostra-se indiferente aos arrufos do sino da igreja, melindrado com o tic-tac do tempo. Daqui, a povoação parece longe, e ela, afinal, está acolá, bem perto, do outro lado da memória. Lá ao fundo, se prestar bem atenção, ouve-se o som dos cascos nas pedras gastas e delicadas, a caminho do fontanário, e no tanque, um grupo de velhas coscuvilham, tagarelando sobre tudo e sobre todos, enquanto esfregam o sabão nos lençóis. E é o som do vento que cria o silêncio, por entre a solidão tranquilizante de um final de tarde quente de Verão, que daqui, junto a Santa Bárbara, senti as Mós, cada vez mais distante, cada vez mais a leste do meu coração e incontornavelmente perto de mim.
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24 abril 2011

Agradecimentos: Dia 23/Abril

Apresentação dos livros: "A Caminho de Santa Bárbara" e "Trovador do Douro" 

Agradeço publicamente a todos quanto, de uma forma ou de outra, contribuíram para que o momento de ontem (23/Abril, 16h30 na Junta de Freguesia de Mós) tenha sido um dos mais belos momentos vividos e sentidos por mim.
Em nome do Professor Mário Anacleto, agradeço de igual forma, toda a homenagem prestada e as palavras verdadeiramente sentidas ditas à sua obra e ao seu valor.
De igual forma, o que foi referido em relação a mim....
Agradeço as presenças honradas dos Representantes da Câmara de Vila Nova de Foz Côa, Presidente da Junta de Freguesia de Mós, do Governador Civil da Guarda, do Padre Ferraz- Arcipreste de Foz Côa, à ACDR de Freixo de Numão- Dr. Coixão, e restantes figuras publicas presentes.
Agradeço também a todos os amigos, familiares e Mosenses no geral...
A Freguesia de Mós, está de parabéns pela organização elegante, pela forma hospitaleira e calorosa como acolheu este evento.
Uma vez mais, se exaltou a beleza das coisas feitas com amor e o valor das pessoas simples e naturais.
Ontem, foi o Dia Mundial do Livro. E foi o dia que as obras "A Caminho de Santa Bárbara" e "Trovador do Douro" foram apresentadas. O Grande dia chegou: o grande dia para o Professor Mário Anacleto e para mim também.
E assim foi.
Honra-me por tudo isso, ter sido fiel no seu desejo, acima de tudo!
Tenho a certeza absoluta, que a nossa Obra vai fazer muitos sorrisos no rosto e no coração de muita gente e algumas lágrimas de emoção também.
Senti e sinto convictamente, que um homem continua vivo enquanto o lembrarmos e enquanto dele falarmos.
E duma coisa tenho a certeza absoluta: em Mós, "Entre montes e vales, numa terra árida e rochosa, de pó seco e trovoadas majestosas... de chuvas, de ventos fortes, de granizos e neves... de amendoeiras em flor e campos de papoilas e cardos agrestes, onde Santa Bárbara é padroeira e habita lá num alto....", "... na terra onde nunca passou Cristo...", MÁRIO ANACLETO continuará vivo manifestando a sua sensibilidade e sensualidade na beleza das flores do campo, na harmonia linhas dos vales e nas curvas do Rio Douro. E a sua voz será os Ecos do Montes na sinfonia do silêncio da Mãe Natureza.
Obrigada Professor Mário Anacleto!
Obrigada a todos.
24/Abril/2011

14 abril 2011

Apresentação de Livros

Sábado de Páscoa, dia 23 de Abril, vá às Mós e... surpreenda-se!

Aproveite para saudar a Maria Cristina Quartas, autora destes dois livros lindíssimos:

 -A Caminho de Santa Bárbara  e -Trovador do Douro.

E aplauda de pé estas edições do Município de Vila Nova de Foz Côa e da Junta de Freguesia de Mós.




08 abril 2011

É uma casa portuguesa!

Numa casa portuguesa fica bem,
“A amizade é o ingrediente mais importante na receita da vida.”
pão e vinho sobre a mesa.
e se à porta humildemente bate alguém,
senta-se à mesa co'a gente.
Fica bem esta franqueza, fica bem,
que o povo nunca desmente.
A alegria da pobreza
está nesta grande riqueza
de dar, e ficar contente.

Quatro paredes caiadas,
um cheirinho à alecrim,
um cacho de uvas doiradas,
duas rosas num jardim,
(...)

É uma casa portuguesa, com certeza!
É, com certeza, uma casa portuguesa!

06 abril 2011

Gente das Mós (6)


(...) "Já são em número demasiado os que vieram ao mundo para combater e separar; o progresso e valor de cada seita e de cada grupo dependeram talvez desta atitude discriminadora e intransigente; aceitemos como o melhor que foi possível tudo o que nos apresenta o passado; mas procuremos que seja outra a atitude que tomarmos; lancemos sobre a terra uma semente de renovação e de íntimo aperfeiçoamento.
Reservemos para nós a tarefa de compreender e unir; busquemos em cada homem e em cada povo e em cada crença não o que nela existe de adverso, para que se levantem as barreiras, mas o que existe de comum e de abordável, para que se lancem as estradas da paz; empreguemos toda a nossa energia em estabelecer um mútuo entendimento; ponhamos de lado todo o instinto de particularismo e de luta, alarguemos a todos a nossa simpatia.
Reflictamos em que são diferentes os caminhos que toma cada um para seguir em busca da verdade, em que muitas vezes só um antagonismo de nomes esconde um acordo real. Surja à luz a íntima corrente tanta vez soterrada e nela nos banhemos. Aprendamos a chamar irmão ao nosso irmão e façamos apelo ao nosso maior esforço para que se não quebre a atitude fraternal, para que se não perca o dom de amor, para que se não cerre o coração à mais perfeita voz que nos chama e solicita."(...)

Agostinho da Silva, in 'Considerações'

Sra Umera
http://olhares.aeiou.pt/sra_umera_foto3963042.html
Maria do Carmo

Mós (Vila Nova de Foz Côa)

04 abril 2011

Gente das Mós (5)

"A mulher é, para mim, um ente privilegiado, porque é justamente através da mulher que nós todos temos acesso à existência. Em segundo lugar, a mulher é o ser que mantém uma ligação permanente e mais continuada com o mundo natural e com o mundo sobrenatural. Creio que o chamado sexto sentido das mulheres não é, de forma alguma, uma figura retórica. As mulheres participam muito mais do grande mistério do cosmos, do grande mistério da vida dos homens. Dir-se-ia que, nós homens, esquecemos esse nosso papel de ligação às forças elementares e, como a própria palavra religião significa aquilo que nos religa à natureza e à divindade, eu creio que a mulher é, por excelência, o ser capaz de manter essa nossa ligação ou essa nossa religação ao essencial. E o essencial é tanto de natureza natural e humana, como divina" (…) 
David Mourão-Ferreira

Amélia Ferreira
Mós (Vila Nova de Foz Côa)
http://olhares.aeiou.pt/tia_amelia_ferreira_foto4512459.html

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