24 outubro 2010
Passeio/Convívio dos Seniores das Mós (2010-10-09)
O dia amanhecera cinzento e a prometer chuva, aliás de harmonia com as previsões meteorológicas, mas o S. Pedro, como sempre, e como padroeiro das nossas gentes, abriu uma excepção e proporcionou um dia radiante e soalheiro até quase ao seu final.
Sem receios e expectantes das surpresas que os esperavam, partiram os nossos seniores alegres e bens dispostos pelo raiar do dia rumo à “Veneza Portuguesa” (Aveiro), tendo como ponto de chegada e primeira visita a Praia da Barra, seguindo-se uma célere passagem pela cidade de Aveiro.
Porque a hora de almoço se aproximava, seguiu-se o caminho para a sempre laboriosa e industrializada cidade e concelho de Águeda, onde nos esperava um aprazível espaço de restauração, - O restaurante Papa Tudo.
Aí chegados, era hora de saciar o estômago que “já dava horas” como alguém afirmava. Fazendo jus ao nome do restaurante, sempre apoiados por zelosos e simpáticos colaboradores do mesmo, foi tempo de degustar os mais variados pratos colocados à nossa disposição, a convidar a permanência por mais algumas horas, não fosse a necessidade de cumprir o programa estabelecido, sendo aqui o grupo um pouco mais numeroso, com a comitiva a ser contemplada com a presença de mais alguns Mosenses que não quiseram deixar de partilhar uma tarde com os seus familiares e conterrâneos.
Como se diz nas Mós: “bem compostos”, reiniciou-se a viagem rumo às instalações das Caves Aliança, hoje designada por Aliança Vinhos, onde durante uma hora foi possível apreciar a mais diversificada arte exposta no Museu Undergrund, do Comendador Joe Berardo, em mistura com a actividade vinícola da referida empresa, deixando em todos uma admiração imensa por tudo quanto foi visto e, no final, apreciar um bom néctar aí produzido
Mas o dia, mesmo que a passo acelerado, permitiu ainda ver e apreciar mais uma grande obra, o Velódromo de Sangalhos, presenciando por breves instantes algumas provas velocipédicas que aí se encontravam a decorrer.
O dia caminhava para o seu fim, era tempo de regressar ao seu doce lar, conduzidos pelo grande profissional, o José Pinto, funcionário da Câmara Municipal de Vila Nova de Foz Côa, com imensa alegria estampada no rosto de todos e o desejo de repetir para o próximo ano.
Resta agradecer aos organizadores do passeio, ou seja, os membros da Junta de Freguesia, à Câmara Municipal pela cedência do autocarro, bem como ao Zé Pinto.
Até para o ano, e como sempre, direi: “comigo contem sempre”.
13 outubro 2010
Dia do Idoso 2010
"No passado dia 1 de Outubro – Dia do Idoso, o executivo municipal brindou-nos com um grandioso dia. Foi um dia repleto de alegrias, boa disposição, para os idosos deste concelho.Foram imensos os idosos que responderam ao convite, e o povo das Mós não poderia faltar! Enchendo um autocarro só na freguesia.
A saída foi bem cedo, rumo a Guimarães, a viagem correu bem… graças a Deus… por volta das 11h chegamos ao Santuário da Senhora da Penha. Assistimos à Eucarística e apreciamos a riqueza deste santuário, bem como, a paisagem magnífica que se estende pelo horizonte.
Posto isto, deslocamo-nos para uma típica Quinta Minhota – Quinta das Laranjeiras – onde fomos agraciados com um banquete grandioso e saboroso. Este foi acompanhado de muita musica e animação tarde fora."
Sara Nogueira
05 outubro 2010
LÚCIO FERREIRA UM REPUBLICANO DAS MÓS
Lúcio do Nascimento Ferreira teria nascido em 1880, na que foi uma ampla e antiga casa situada mesmo defronte da entrada da capela de Santo António. Ali cresceu no seio duma família remediada e extensa pois, para além dos pais, Manuel António Ferreira (“Ginja”) e Maria Henriqueta Melchior Lindo, era ainda constituída por 6 filhos e o avô Venâncio António Lindo, um ancião com “saberes” e boa memória, acrescidos de qualidades pedagógicas, que lhe permitiram complementar os ensinamentos ministrados pelo competentíssimo e sempre recordado professor José António Saraiva.
Desta preparação intelectual e cívica a que se juntaram as suas qualidades natas resultou que, feita a 4ª classe com distinção, fosse afastado dos afazeres ligados à lavoura e criação de gado, para enveredar pelo ofício de sapateiro, chegando a montar uma oficina, onde trabalhava por “conta própria”. E quando casou (em 17 de Setembro de 1903) já ele se tornara comerciante, dono de um “soto”, situado no centro da povoação, a poucos metros a norte da igreja matriz.
Quanto ao seu republicanismo bem cedo o tornaria público, pois logo em 1910 o seu nome figuraria como uma das 10 personalidades que constituíam a Comissão Paroquial Republicana das Mós, comissão que com as suas congéneres formavam a estrutura de base do Partido Democrático, oficialmente enraizado na designação tradicional de Partido Republicano Português (P.R.P.), um partido considerado do centro-esquerda.
A empenhada militância e lealdade que desde sempre dedicou ao P.R.P, fizeram dele um “dos mais proeminentes republicanos (na área do concelho de Foz Côa) …” (1)
Por outro lado, na sua terra natal sempre desempenhou com zelo e competência os cargos políticos para que fora nomeado. A comprová-lo, vejamos o que averiguou o meu amigo Dr. Joaquim Castelinho, que no topo do rol de “PERSONALIDADES DIGNAS DE REGISTO NO HISTORIAL DE MÓS DO DOURO”, escreveu:
“Lúcio do Nascimento Ferreira – Desempenhou com competência o cargo de Chefe” (?) “do Posto de Registo Civil nesta Freguesia, onde eram registados os nascimentos, casamentos, óbitos, pelo que muito beneficiaram” (também) “as Freguesias vizinhas de Santo Amaro, Murça e Seixas. Como Secretário da Junta de Freguesia e como Oficial do Registo Civil, foi louvado pelos bons serviços prestados, como consta na respectiva acta.” (2)
Depois de ter sido nomeado e desempenhado a função de Regedor, em 13 de Setembro de 1925 foi designado para substituir o sempre recordado professor José António Saraiva que se mantivera como Secretário da Junta desde 1895 até (ao ano do seu falecimento) 1925; ou seja, durante 30 anos. Assim, acabou por, ininterruptamente, servir a causa pública: durante os derradeiros 15 anos do regime monárquico e outros tantos anos após o advento da República.
E o seu sucessor, embora republicano “afonsista”, manteve-se no cargo de Secretário da Junta mesmo após o 28 de Maio de 1926, pois a 9 de Fevereiro de 1928, o respectivo Presidente, Francisco Mendes Júnior, atribuiu-lhe o encargo de inspeccionar os trabalhos efectuados na reparação das ruas, “por ser a pessoa mais indicada e competente para desempenho de tal missão, tendo recebido como prémio a gratificação de cem mil reis.” (3)
Pouco tempo depois passou a residir definitivamente na cidade do Porto, para melhor cuidar do futuro dos quatro filhos que tinha e, ao mesmo tempo, para dar largas à sua oposição ao salazarismo, passando a conspirar com correligionários, mormente conterrâneos, quase sempre em sítios mais ou menos esconsos, como o “Buraquinho”, uma casa de pasto situada na Praça dos Poveiros.
Esteve muitos anos sem visitar a sua terra natal, mas podia gabar-se de ter sido o primeiro mosense a escrever para que ficasse registado o nome das Mós numa enciclopédia, deixando também ali um outro artigo em que denunciava a injustiça que foi a alteração do nome da estação do caminho de ferro de Freixo-Mós para Freixo de Numão. (4)
(1) A Primeira República no Concelho de Vila Nova de Foz Côa, António N. Sá Coixão e António A. Rodrigues Trabulo, edição de C.M. de V. N. de Foz Côa, 1993, vide pág.69
(2) Monografia Histórica de Mós do Douro, Joaquim A. Castelinnho, 3ª edição do autor, 1982, vide pág. 220.
(3) Idem, idem, vide pág. 206.
(4) Idem, idem, vide pág.47 ou Diccionario Chorographico de Portugal Continental e Insular, Azurara – Vila do Conde, 1930, vide os topónimos AS MÓS e FREIXO DE MOZ.
Algés, 1 de Outubro de 2010
José Gomes Quadrado


















