29 maio 2008
Programa do VI Encontro dos Amigos das Mós
10º Aniversário da A.C.R.”As Mós”
Associação de Cultura e Recreio ”As Mós”
10 Anos ao Serviço da Cultura
e da Comunidade Mosense
10 Anos ao Serviço da Cultura
e da Comunidade Mosense
No ano em que o número do aniversário se escreveu pela primeira vez com dois dígitos, foi dupla a jornada cultural levada a efeito pela Associação de Cultura e Recreio “As Mós”.
Trazer às Mós um ou dois grupos musicais e proporcionar aos sócios e à população em geral uma noite de convívio no salão da Junta de Freguesia, tem sido uma constante nos aniversários da Associação. Este ano, porém, a dose foi a dobrar, e se a noite de sábado foi preenchida alegremente pelo belíssimo espectáculo do Grupo de Música Popular “Quina de Copos” de Alijó, já a tarde do domingo dia 25 de Maio foi enriquecida com a juventude dos alunos da Esprodouro - Escola Profissional de S. João da Pesqueira, que trouxe às Mós a peça de teatro “A Comédia dos Burros”, uma adaptação ao texto original "Asinária" do autor grego Plauto.
O espectáculo de teatro contou com o apoio da Fozcôactiva E.M. que, ao iniciar nas Mós a descentralização de eventos culturais pelo concelho, se quis juntar à festa de aniversário num gesto expressivo de reconhecimento. A população compareceu nos dois dias em grande número, correspondendo com a sua presença e aplausos ao empenho da organização.
Para encerrar a noite de sábado, depois de se ter cantado e tocado o hino da Associação, cantaram-se os parabéns, houve bolo e champanhe, apagaram-se as velas e (com a ajuda de uns "ben-u-rons" adocicados na "farmácia" polido) a festa durou até às tantas.
Muito embora eventos desta natureza continuem a ser apresentados em salão de grandes dimensões como o da Junta de Freguesia pela necessidade de acomodar muita gente, para este aniversário esteve prevista a inauguração da sede da Associação, uma obra que, estando já praticamente concluída, virá certamente propiciar a todos outra diversidade no serviço cultural já oferecido.
Em boa hora a mão-cheia de pessoas benfazejas que constituem o núcleo duro da orgânica associativa se lembrou de constituir, engrandecendo com o seu empenho desde 1998, a Associação de Cultura e Recreio “As Mós”.
Pelo trabalho desenvolvido nesta década, destacando-se manifestamente o proveito social da comunidade mosense, é, assim, merecida, a esta Associação, a proeminência no quadro-de-honra das associações concelhias.
Muito embora eventos desta natureza continuem a ser apresentados em salão de grandes dimensões como o da Junta de Freguesia pela necessidade de acomodar muita gente, para este aniversário esteve prevista a inauguração da sede da Associação, uma obra que, estando já praticamente concluída, virá certamente propiciar a todos outra diversidade no serviço cultural já oferecido.
Em boa hora a mão-cheia de pessoas benfazejas que constituem o núcleo duro da orgânica associativa se lembrou de constituir, engrandecendo com o seu empenho desde 1998, a Associação de Cultura e Recreio “As Mós”.
Pelo trabalho desenvolvido nesta década, destacando-se manifestamente o proveito social da comunidade mosense, é, assim, merecida, a esta Associação, a proeminência no quadro-de-honra das associações concelhias.
Como diz Camões: "Feliz a pátria que tais filhos tem".
25 maio 2008
Pragas, Maldições e Outras Costumeiras ...
PRAGAS, MALDIÇÕES
E OUTRAS COSTUMEIRAS DEVOCIONAIS
E OUTRAS COSTUMEIRAS DEVOCIONAIS
José Gomes Quadrado
INTRODUÇÃO
Depois da socialização primária desenvolvida no seio da família e no contacto social com gente dum meio rural como as Mós, e pouco tempo antes de atingir a adolescência, fui submetido a um processo de aculturação, porque passei a residir na cidade do Porto.
Durante este processo, na diversidade de usos e costumes, o que muito estranhei foram as diferenças na credulidade supersticiosa, integrando ou não as linguagens vulgarmente utilizadas, sobretudo na aplicação de expressões emotivas, de irritação e de revolta, mais ou menos obscenas. O linguajar portuense raramente incluía, explicitamente, as pragas e maldições; eram mais utilizados termos espúrios ou de referenciação obscena-sexual, que nas Mós só os ouvira a certos homens ou ao rapazio. Naquele meio urbano conheci, também, objectos e diferentes fraseados indiciadores de outras (mas igualmente antigas) costumeiras devocionais. Na religiosidade popular do Porto, o sincretismo animista das crenças estavam mais relacionadas com bruxas, lobisomens, mau olhado…
A estas me referirei comparando-as com as que conheci em ambientes rurais, mas vou ocupar-me primeiramente com as diferentes formas de amaldiçoar, de abençoar e de praguejar que memorizei nos tempos em que vivi e/ou estanciei nas Mós, em Mogadouro e em Lagoaça. Foram muito poucas as que encontrei confirmadas nos livros, já que, tirante os exemplos deixados pelo erudito José Leite de Vasconcelos, o que li sobre pragas e maldições eram exemplos quase todos referentes a costumeiras do Alentejo, do Algarve e outros a práticas e imprecações utilizadas por minorias étnicas ou religiosas, nomeadamente, ciganos e “cristãos novos”. Já o mesmo não acontece em relação a outras tradicionais superstições populares portuguesas.
Na bibliografia consultada retirei, sobretudo, alguns elementos necessários aos enquadramentos histórico e teórico.
Durante este processo, na diversidade de usos e costumes, o que muito estranhei foram as diferenças na credulidade supersticiosa, integrando ou não as linguagens vulgarmente utilizadas, sobretudo na aplicação de expressões emotivas, de irritação e de revolta, mais ou menos obscenas. O linguajar portuense raramente incluía, explicitamente, as pragas e maldições; eram mais utilizados termos espúrios ou de referenciação obscena-sexual, que nas Mós só os ouvira a certos homens ou ao rapazio. Naquele meio urbano conheci, também, objectos e diferentes fraseados indiciadores de outras (mas igualmente antigas) costumeiras devocionais. Na religiosidade popular do Porto, o sincretismo animista das crenças estavam mais relacionadas com bruxas, lobisomens, mau olhado…A estas me referirei comparando-as com as que conheci em ambientes rurais, mas vou ocupar-me primeiramente com as diferentes formas de amaldiçoar, de abençoar e de praguejar que memorizei nos tempos em que vivi e/ou estanciei nas Mós, em Mogadouro e em Lagoaça. Foram muito poucas as que encontrei confirmadas nos livros, já que, tirante os exemplos deixados pelo erudito José Leite de Vasconcelos, o que li sobre pragas e maldições eram exemplos quase todos referentes a costumeiras do Alentejo, do Algarve e outros a práticas e imprecações utilizadas por minorias étnicas ou religiosas, nomeadamente, ciganos e “cristãos novos”. Já o mesmo não acontece em relação a outras tradicionais superstições populares portuguesas.
Na bibliografia consultada retirei, sobretudo, alguns elementos necessários aos enquadramentos histórico e teórico.
A GENEALOGIA DE ALGUMAS SUPERSTIÇÕES
As pragas, as maldições e todas as fórmulas de imprecação integram um quadro de superstições que remontam aos tempos mais remotos. Durante milénios, o Homem manteve um conjunto de crenças inseridas num sentimento religioso fundamentado num terror indescritível dos astros e dos elementos da Natureza. Nestes tempos povoados de mitos, ele manteve uma concepção animística, sustentada pela crença de que tudo estava possuído por espíritos; todos os fenómenos naturais eram tidos por animados: o céu, os astros (mormente o Sol e a Lua), a Terra, os ventos, os animais e mesmo o próprio ser humano podia ser habitado por vários espíritos. Devido ao referido terror, “bem cedo” sentiu a necessidade da protecção de variados deuses ou de um ente supremo que o livrasse dos perigos e das ameaças a que se julgava sujeito.
Mesmo depois do fim do paganismo na Península Ibérica, foram muitos e significativos os vestígios de cultos e superstições da Antiguidade seguidos na Idade Média. Apesar da reconversão a que foram sendo sujeitos por parte da Igreja, os resíduos do paganismo, as reminiscências ou mesmo a sobrevivência de algumas das crenças confusas daqueles tempos foram sendo conservadas ao longo de séculos, chegando algumas delas até aos nossos dias, pois tanto no mundo rural como no urbano, encontramos indícios duma concepção mágica e arcaica da vida e do Mundo. A persistência do uso das pragas e maldições, por exemplo, comprovam, de algum modo, a sobrevivência desta concepção.
Em documentos datados do tempo da ocupação romana não raro deparamos com “exsecratio” (imprecação ou maldição), para reforçar a validade dos juramentos. Depois do fim do domínio romano e com o progressivo predomínio do catolicismo, a Igreja foi decalcando sobre práticas religiosas e míticas coevas, e assim se foram conjugando dois princípios, o católico e o pagão, sobretudo a partir de meados do século VII, (depois dos visigodos terem conquistado toda a Península) passou a vigorar uma concepção que implicava o dualismo Deus/Diabo, Céu/Inferno, Salvação/Condenação. O que não podia ser atribuído a Deus era-o ao Demónio ou aos seus sequazes terrenos.
Dentro deste sistema as muito temidas “maldiçoens” passaram a ser utilizadas por nobres e clérigos não só para reforçar e validar juramentos, mas também como instrumento considerado indispensável para imporem o seu poder e a sua vontade mesmo depois da morte. Prova disto mesmo está no facto delas aparecerem inseridas em quase todas as escrituras, testamentos, doações e, inclusivamente, nos emprasamentos de frades. Neles constavam as mais execrandas e temíveis imprecações, ameaçando os transgressores de qualquer cláusula com interjeições como Abaritan (1), que equivalia à seguinte imprecação:”Sepultado sejas tu vivo nos infernos como foram Core, Datan e Abiron”.
Quando visitei o castelo de Lorvão, soube que no respectivo cartório existiu uma doação feita ao respectivo mosteiro, datada de 1086, escrita em latim, que explicitamente dizia (traduzido para português moderno): - o que for contra esta doação seja excomungado por Deus Padre, por Jesus Cristo, pelos anjos e apóstolos – “ut, et de hoc Seculo, sicut Datan, et Abiron”…
Na doação de D. Teresa ao Bispo do Porto (D. Hugo), feita em 18 de Abril de 1120, constava:
“E se algum dos meus parentes, ou estranhos, tentar romper, tirar ou quebrantar este instrumento e carta de doação, ou couto, primeiramente incorra na ira de Deus, e seja apartado e alheado do Santíssimo Corpo e Sangue de Nosso Senhor Jesus Cristo – e, não se emendando, tenha no inferno o mesmo logar que tem o traidor Judas Iscariotes”(2).
Terríficas são também as seguintes imprecações: “E quem quebrar este foral e não der a emmenda”…”seja maldito e excommungado e atormentado sem fim no inferno, com Judas Scharioth e com o próprio demónio; e vossos filhos e netos ardam nas próprias chamas, se contradisserem este contrato.”
Tal como se amaldiçoava quem ignorasse as prescrições, assim se abençoava quem as cumpria. Tome-se como exemplo o que ficou exarado no foral de Lisboa, de 1179:
“Quem cumprir uma disposição seja abençoado de Deus, quem não cumprir seja amaldiçoado”(3).
Acreditava-se, portanto, que bastava um simples acto de vontade para que os votos malignos ou benignos tivessem efeito mesmo depois da vida terrena, no Além.
Mesmo depois do fim do paganismo na Península Ibérica, foram muitos e significativos os vestígios de cultos e superstições da Antiguidade seguidos na Idade Média. Apesar da reconversão a que foram sendo sujeitos por parte da Igreja, os resíduos do paganismo, as reminiscências ou mesmo a sobrevivência de algumas das crenças confusas daqueles tempos foram sendo conservadas ao longo de séculos, chegando algumas delas até aos nossos dias, pois tanto no mundo rural como no urbano, encontramos indícios duma concepção mágica e arcaica da vida e do Mundo. A persistência do uso das pragas e maldições, por exemplo, comprovam, de algum modo, a sobrevivência desta concepção.
Em documentos datados do tempo da ocupação romana não raro deparamos com “exsecratio” (imprecação ou maldição), para reforçar a validade dos juramentos. Depois do fim do domínio romano e com o progressivo predomínio do catolicismo, a Igreja foi decalcando sobre práticas religiosas e míticas coevas, e assim se foram conjugando dois princípios, o católico e o pagão, sobretudo a partir de meados do século VII, (depois dos visigodos terem conquistado toda a Península) passou a vigorar uma concepção que implicava o dualismo Deus/Diabo, Céu/Inferno, Salvação/Condenação. O que não podia ser atribuído a Deus era-o ao Demónio ou aos seus sequazes terrenos.
Dentro deste sistema as muito temidas “maldiçoens” passaram a ser utilizadas por nobres e clérigos não só para reforçar e validar juramentos, mas também como instrumento considerado indispensável para imporem o seu poder e a sua vontade mesmo depois da morte. Prova disto mesmo está no facto delas aparecerem inseridas em quase todas as escrituras, testamentos, doações e, inclusivamente, nos emprasamentos de frades. Neles constavam as mais execrandas e temíveis imprecações, ameaçando os transgressores de qualquer cláusula com interjeições como Abaritan (1), que equivalia à seguinte imprecação:”Sepultado sejas tu vivo nos infernos como foram Core, Datan e Abiron”.
Quando visitei o castelo de Lorvão, soube que no respectivo cartório existiu uma doação feita ao respectivo mosteiro, datada de 1086, escrita em latim, que explicitamente dizia (traduzido para português moderno): - o que for contra esta doação seja excomungado por Deus Padre, por Jesus Cristo, pelos anjos e apóstolos – “ut, et de hoc Seculo, sicut Datan, et Abiron”…
Na doação de D. Teresa ao Bispo do Porto (D. Hugo), feita em 18 de Abril de 1120, constava:
“E se algum dos meus parentes, ou estranhos, tentar romper, tirar ou quebrantar este instrumento e carta de doação, ou couto, primeiramente incorra na ira de Deus, e seja apartado e alheado do Santíssimo Corpo e Sangue de Nosso Senhor Jesus Cristo – e, não se emendando, tenha no inferno o mesmo logar que tem o traidor Judas Iscariotes”(2).
Terríficas são também as seguintes imprecações: “E quem quebrar este foral e não der a emmenda”…”seja maldito e excommungado e atormentado sem fim no inferno, com Judas Scharioth e com o próprio demónio; e vossos filhos e netos ardam nas próprias chamas, se contradisserem este contrato.”
Tal como se amaldiçoava quem ignorasse as prescrições, assim se abençoava quem as cumpria. Tome-se como exemplo o que ficou exarado no foral de Lisboa, de 1179:
“Quem cumprir uma disposição seja abençoado de Deus, quem não cumprir seja amaldiçoado”(3).
Acreditava-se, portanto, que bastava um simples acto de vontade para que os votos malignos ou benignos tivessem efeito mesmo depois da vida terrena, no Além.
IMPRECAÇÕES, EXECRAÇÕES E MALDIÇÕES
Talvez se imponha explicitar o significado destes três vocábulos. (...)
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24 maio 2008
Encontro Anual da Casa do Concelho de Foz Côa
Casa do concelho de Foz Côa escolheu as Mós como lugar para o almoço anual
Decorreu com bastante animação o almoço anual da Casa do Concelho de Foz Côa, realizado no dia 18 de Maio.
Para o convívio deste ano foi escolhida a localidade das Mós. Assim, reunidos no salão da junta de freguesia, ao redor de um almoço preparado e servido pela Associação de Cultura e Recreio “As Mós”, mais de 80 convivas deram largas ao espírito e confraternizaram alegremente.
Já na noite anterior, no auditório do Centro Cultural de Vila Nova de Foz Côa, a reinação tinha sido grande no espectáculo de música tradicional portuguesa com o grupo “Sol na Eira”.
Que estes encontros se repitam por muitos e bons anos.
19 maio 2008
Espectáculos Culturais X Aniversário A.C.R. "As Mós"
08 maio 2008
III Passeio de Barco
No passado dia 3 de Maio, na embarcação Senhora da Veiga, propriedade do município de Vila Nova de Foz Côa, viveu-se mais uma jornada de amizade com o III Passeio de Barco organizado pela Associação de Cultura e Recreio “As Mós”.
Descendo a eclusa da barragem do Pocinho e seguindo viagem até à barragem da Valeira, descobre-se uma paisagem deslumbrante, um espectáculo para os olhos e para a alma, numa abundância de contrastes verdadeiramente enriquecedora onde a intervenção humana se confunde com a do divino.
PELO RIO ABAIXO”, e à medida que o tempo ia passando, o convívio entre os viajantes foi aumentando e todos quiseram aproveitar ao máximo a cumplicidade resultante. Com sol e com o contagiante afecto das gentes das Mós, o Douro, foi o curso por onde correram todos os sentidos. O ambiente festivo que se fez sentir durante o passeio é bem a mostra do espírito mosense, sempre presente nos eventos aonde a aproximação à terra é o principal objectivo, ao conseguir unir em confraternização os naturais e amigos das Mós.
Quando o cais fluvial do Pocinho, também ponto de partida, recebeu a embarcação, era tempo de compartilhar despedidas pois estava concluído com êxito este III Passeio de Barco. Como contributo indispensável para este sucesso é de salientar a qualidade do serviço a bordo e a simpatia de toda a tripulação.
Por tudo isto, não é, pois, de admirar que haja cada vez mais quem queira saborear (e recomendar) este passeio aos amigos.






























