25 junho 2007

(Baile de S. Pedro)


Venha ao baile...

Venha divertir-se...

Venha às Mós!...

13 junho 2007

5º Encontro/Convívio dos Naturais e Amigos das Mós

O 5º ENCONTRO/CONVÍVIO DOS NATURAIS E AMIGOS DAS MÓS

Este evento, também apropriadamente designado “O Reencontro”, teve lugar no muito amplo recinto anexo ao edifício dos Missionários da Consolata no Alto da Maia – Ermezinde, o mesmo local onde já se realizara o 1º Encontro/Convívio, em 14 de Junho de 2003.

Antes da chegada do autocarro que transportava os residentes nas Mós, alguns dos restantes participantes foram progressivamente chegando e tiveram o ensejo de constatar quão canseirosa é a preparação dum evento como este. Instalada a aparelhagem sonora, o amigo José Alberto procurava afanosamente preparar e decorar alguns dos espaços mais relevantes. E no que concerne a esta decoração (e não só) foi decisiva a colaboração do grande Amigo das Mós Carlos Pedro, que viria a proceder à montagem, numa estrutura de madeira, da exposição de 22 quadros com fotografias muito ampliadas e retocadas com mestria, relativas a alguns dos sítios e das casas mais característicos da nossa povoação. Um primoroso exemplo da sua arte de tratar imagens através de meios informáticos!
Devo informar, a quem não sabe, que estes lindíssimos quadros estão destinados a ornamentar as paredes do “salão de festas” da nossa Junta de Freguesia. Mas prossigamos com a reportagem.
Num recanto do vasto recinto funcionava o “artista” na arte de cozinhar, o amigo Luís Alberto Polido, coadjuvado pelos restantes membros da Junta de Freguesia e pelo próprio presidente da Associação. Todos preparavam a refeição festiva, com excepção do já referido José Alberto e do “vizinho” Aires José que, como sempre, desempenhava a função de recebedor.
É curioso este modelar associativismo! Na realização destes eventos não conta a posição hierárquica dos elementos organizadores: cada um trabalha de acordo com os seus “saberes”. Ali, os presidentes trabalham como ajudantes de cozinha, desempenhando as mais variadas tarefas, servindo de exemplo aos voluntários de sempre, entre os quais são de referir algumas dedicadas senhoras. Tal como noutros eventos, estivemos aqui perante uma exemplar amostra duma comunidade horizontal. Até nisto os dirigentes mosenses são diferentes!
Depois da chegada do autocarro proveniente das Mós, a vastidão da área disponível contribuiu para uma extraordinária dispersão dos convivas, de tal modo que ninguém diria que estavam presentes mais de duzentos e cinquenta pessoas, um número considerável de participantes, apesar deste ser o sétimo evento levado a cabo pela nossa prestimosa Associação em menos de 4 meses. Antes e durante a refeição festiva, formaram-se dezenas de grupos de gente com maiores afinidades, para conviverem mais estreitamente durante aquela tarde.
Comeram-se fresquíssimas sardinhas exemplarmente assadas, alheiras trazidas de Mirandela pelo Eng.º Carlos Correia, fêveras e carne de porco assado no espeto, acompanhados pelo delicioso vinho fornecido pela "adega" do amigo Luis Alberto Polido. Os abstémios e os mais doentes tinham à sua disposição sumos e outras inofensivas bebidas. E como não podia deixar de ser, eram “comes e bebes” à discrição dos comensais, sem restrições.
Chegado o intervalo maior do repasto, o “locutor de serviço”, o amigo José Alberto, convidou os presentes a deslocarem-se ao coreto existente na parte inferior do recinto, para poderem apreciar as três peças que Aristides Fernandes ali apresentou: a “Casa da Avó”, a “Atafona” e a nova miniatura representando a “Procissão de Nossa Senhora da Soledade”. Em seguida, anunciou a prevista homenagem a este miniaturista, durante a qual se cantou com fervor o hino “Somos das Mós”, com letra e música de Carlos Pedro. A prova do agradecimento culminaria com a entrega, pelas mãos do distinto médico mosense Dr. Luís Tomé, de uma placa emoldurada e com os seguintes dizeres: “Tributo da Associação de Cultura e Recreio “As Mós”, ao artesão Aristides dos Santos Fernandes / 2 de Junho de 2007”.
O homenageado, com palavras simples, manifestou não só a sua gratidão mas também o seu acrisolado amor a tudo o que está relacionado com o passado e com o presente das Mós.
Primo carnal e indefectível amigo de sempre, o Aristides conhecia as singelas quadras adiante transcritas que eu mantinha guardadas no fundo duma gaveta há 55 anos, apesar dele, repetidamente, me sugerir que as trouxesse a púbico. Querendo associar-me, ainda que modestamente, à homenagem que lhe estava a ser prestada, anunciei que ia fazer-lhe a surpresa de as divulgar, para o que pedi ao meu prezadíssimo Amigo Carlos Pedro que emprestasse alguma importância aos singelos versos, recitando-os com a sua voz sonora. E ele, generoso como sempre, empenhadamente recitou:

O ADEUS ÀS MÓS
Em Abril de 1952

Adeus ó Cimo do Povo
Do Castelo sem ameia;
Adeus ó Ninho do Corvo,
Adeus ó Cabo D`Aldeia.


Adeus Olmo do Terreiro,
Do pendão tão celebrado;

Adeus Fonte do Barreiro,
Adeus hortas do Colado.


Adeus Atalho, uma encosta,
Agora tão habitada;
Adeus ladeira da Costa,
Adeus Alto da Selada.


Adeus ó Fundo do Povo,
Santo António, pregador;
Adeus ó Pombal novo,
Adeus, adeus Salvador.


Disse adeus a quase tudo,
Despedi-me a cantar.
Mas de minha avó não pude
Despedir-me sem chorar!


Adeus Portela altaneira,
As costas te vou virando;
A saída é agora,
O regresso não sei quando!


Adeus Joaquim, meu amigo,
Amigo do coração;
Vou chegando ao Moninho,
A caminho da Estação...


Adeus Mós, eu vou embora,
Não sei quando voltarei,
Mas por onde quer que eu ande,
Nunca mais te esquecerei!


Quadras ditas de forma tão sensibilizante como a que empregou ao cantar a trova seguinte. Depois, com a sua voz bem timbrada, cantou canções tradicionais e até uma cantiga brejeira de sua autoria... Quem diria!
Mais significativa do que esta, é a reportagem fotográfica realizada por este Amigo das Mós. Portanto, eu sugiro aos meus pacientes leitores que consultem o “site” dasmos.blogspot.com, até porque “uma boa imagem vale por mil palavras”.
Obrigado Amigo, por tudo o que tem vindo a fazer por nós e pela nossa povoação!
Para recordar ficaram também os instantes de convívio com amigos e parentes, recordando não só os nossos maiores mas também alguns acontecimentos de tempos passados. Em todos nós, os ausentes, era evidente um sentimento comum: uma afectuosa saudade pelos aspectos singulares da paisagem natural do termo das Mós e da região onde está inserida. Em suma: foram inesquecíveis momentos em que parentes e amigos saudosos se reencontraram, para relembrarem os que partiram e os sítios onde passaram os dias ledos dos verdes anos. Eventos como este têm o condão de provocarem nos ausentes uma indefinível renovação de forças físicas e anímicas.

José Gomes Quadrado


10 junho 2007

Bosquejo Histórico das Mós

Crónica das Mós

"BOSQUEJO HISTÓRICO DAS MÓS”


Mós, ou As Mós como também é conhecida, é uma freguesia do concelho de Vila Nova de Foz Côa e pertencente ao distrito da Guarda. É uma aldeia característica do Douro Superior, situada a 300 metros de altitude, num vale encaixado entre rosários de outeiros e de montes, atravessada por um ribeiro, uma linha de água do tipo torrencial que começa nas encostas de Sobradais (na vizinha povoação de Santo Amaro) e vai juntar-se ao ribeiro de Murça para terminar no rio Douro.

Os vestígios de actividades humanas encontrados no “castro” das Campanas e no sítio arqueológico do Castelo Velho permitem concluir que o povoamento do território que actualmente integra o termo desta freguesia terá começado na pré-história recente, ou mais concretamente no Calcolítico. Noutros sítios arqueológicos, como Aldeia Velha, Cruzinha (ou Necreal) e Sambado, ficaram testemunhos da civilização romana e da era medieval. Entre os instrumentos encontrados por Sá Coixão nas Campanas, avultam 12 mós manuais, sendo 11 mós dormentes (fixas ou “mós debaixo”) e apenas uma mó movente (ou andadeira). Também no Castelo Velho foram encontrados fragmentos em granito de ambas as mós.

E depois da fixação da população na margem direita do ribeiro, a herança e a provável prevalência das mós manuais contribuíram para perfilhar a hipótese delas poderem estar na origem do topónimo “As Mós”, já que, como escreveu Sousa Viterbo, “se usavam para moer onde não havia moinhos de água”.

Esta forma composta do topónimo tem como principal sustentação a secular grafia com que foi identificada a povoação, como comprova, por exemplo, uma procuração que remonta a 1380, passada pelos homens mais notáveis do vetusto concelho de Numão, nomeando “Joham Annes das moos“ como “lydimo avondoso procurador autor e mensageiro especial” para, nas cortes realizadas em Torres Novas, votar na eleição de D. Beatriz para suceder ao seu pai, o rei D. Fernando.

O facto do concelho de Numão (tal como muitos outros) ter apoiado esta sucessão legitimista, fez com que D. João I viesse a puni-lo, entregando o senhorio de todo o território concelhio ao poderosíssimo Conde de Marialva e seus descendentes. E só voltaria a ficar ligado à coroa no reinado de D. Manuel I.

Em 1527, D. João III ordenou o primeiro “numeramento” da população portuguesa que totalizava, então, 1 200 000 habitantes, tendo o lugar das Moos 52 moradores. Cerca de 10 anos depois, a 14 de Março de 1537, este mesmo rei pediu e obteve do Papa Paulo III permissão para unir a igreja das Mós à Universidade de Coimbra, uma administração que viria a durar cerca de 300 anos. Durante o tempo que durou o padroado universitário a freguesia, do ponto de vista religioso, foi bastante beneficiada: em 1566, passou a ser sede de vigararia; em 1655, foi reconstruída a capela de Santo António e em 1793, a antiga capela de Nossa Senhora da Graça foi ampliada, decorada e transformada na igreja matriz, substituindo a velha igreja, que acabou quase isolada no “Cimo do Povo”, funcionando como cemitério a partir de 1836.

Em 1758, por ordem do Marquês de Pombal, foi requisitada ao “vigario de Asmos” a elaboração dum relatório que na parte introdutória, esclarece: “Este lugar e Freguezia de Asmos hé da Província da Beyra Alta, Bispado de Lamego, Comarqua de Pinhel, Termo da villa de Freyxo de Numão.” E na resposta à 3ª pergunta, responde: “os vizinhos e moradores que tem sam cento, e onze, e o numero de pessoas entre mayores, e menores sam trezentas e dezasepte.”

A efectiva transferência da sede do concelho de Numão para Freixo acontecera cerca de 100 anos antes, ou seja, em meados do século XVII. Aqui foram assentando arraiais grupos sociais dominantes, incluindo os mais ricos e poderosos proprietários do termo das Mós. E foi um destes senhores que mandou construir, em finais do século XVIII, o único edifício brasonado da povoação, o “Chalé” situado na Portelinha, e não um dos riquíssimos viscondes de Asseca. Este edifício viria a ficar conhecido como “Casa do Campinhos”, por ter sido adquirido, em meados do século XIX, pelo conhecido “clã” fozcoense Campos ou Campos Henriques, que tinha como corifeu Francisco António Campos, o 1º Barão de Foz Côa. Uma aquisição que se teria ficado a dever ao facto das Mós ser um dos poucos locais onde não chegaram as funestas consequências das terríficas convulsões políticas e sociais que afectaram Vila Nova de Foz Côa e a maior parte da terras vizinhas (e não só) durante o período das Lutas Liberais.

Por Decreto de 31 de Dezembro de 1853, foi extinto o concelho de Freixo de Numão e a partir de 1854 a freguesia das Mós passou a depender judicial e administrativamente do concelho de Vila Nova de Foz Côa. E dentre as 11 freguesias anexadas, com um total de 1169 fogos, as Mós, com 112, era a quarta com maior numero de habitações, antecedida pela de Numão com 117 fogos.

A partir de meados de Abril de 1855, este alargado concelho foi invadido pela epidemia da “cólera morbus” ou febre amarela. Altamente contagiosa e mortífera, arrasou a população das Mós, cobrindo-a de luto, já que ceifava a vida a uma de cada grupo de três pessoas infectadas. Tendo atingido o auge em Agosto, a calamidade amainou logo nos primeiros dias de Setembro, facto que foi considerado um milagre, atribuído à intervenção da Mãe de Jesus. E a partir de então, a festa anual ao padroeiro S. Pedro passou a ser substituída pela festa grande a Nossa Senhora da Soledade, realizada no 3º domingo de Setembro, depois da vinda da respectiva imagem (de roca) assente num andor com o formato dum barco.

Quase 30 anos depois, teve lugar um acontecimento decisivo para a gente das Mós: a construção do troço da linha do Douro, entre a Quinta do Vesúvio e o ribeiro da Bulha, numa extensão de 21 Kms.

A primeira consequência foi a criação do lugar de Freixo – Mós, que até 1880 era apenas um simples passadoiro de quem embarcava ou desembarcava na secular Barca de passagem no rio Douro. Quem deu início à sua profunda transformação foi o dinâmico mosense António Augusto de Oliveira Mendes e a sua equipa de trabalhadores, que começaram por converter um pardieiro que ali existia num edifício onde funcionaria o único estabelecimento, numa área de alguns quilómetros, destinado a servir de apoio logístico a várias dezenas de trabalhadores que se ocupavam nas obras do caminho de ferro. Com os lucros obtidos foi construindo um conjunto de 30 casas, montando em algumas oficinas (entre elas uma forja), servindo outras para abrigar os obreiros recrutados. Depois, foi comprando e juntando terrenos onde viria a fundar a conhecida Quinta do Torrão e a capela de Santo António do Torrão, com um pequeno adro rodeado de grades e portão de ferro, formando um belo conjunto, que acabou por ser demolido quando ali foi construído o terminal da estrada nacional 324.

A partir de 10 de Janeiro de 1887, começou a circular o comboio entre o Pocinho e Campanhã, com paragem na estação de Freixo - Mós (assim designada até 1927), rompendo um secular isolamento, ligando a povoação às regiões do litoral, desde sempre mais abertas a novas influências civilizacionais e permitindo, acima de tudo, uma decisiva mobilidade geográfica e com ela o desenvolvimento duma mobilidade socioprofissional que começou por fazer das Mós uma terra de muitos ferroviários, para depois permitir o ensejo de alguns ingressarem em empregos no litoral, mormente, no Porto; ocasionado, ainda, que outros optassem pela emigração intercontinental, sobretudo, para o Brasil e para a África.

Além de grande empreendedor, Oliveira Mendes foi a maior benemérito das Mós e da sua gente. Bastará referir que: despendeu avultadas somas na canalização da água da fonte de Nogueira até ao “Cano”, que ainda hoje se mantém no centro da povoação; cedeu um edifício mobilado e devidamente apetrechado com o material didáctico, para nele funcionar a primeira escola do sexo feminino e socorreu os seus conterrâneos mais necessitados. Pelo seu grande altruísmo, foi justamente louvado pela primeira junta de freguesia republicana e homenageada a sua memória em 17 de Setembro de 1978; tal como já havia sido a de outro grande vulto da história das Mós, o seu contemporâneo e primeiro professor da escola do sexo masculino, José António Saraiva, ambas por iniciativa do ilustre mosense Dr. Joaquim Castelinho.

Na noite de 15 de Fevereiro de 1941, um terrifico ciclone assolou todo o País e nas Mós, para além de prejuízos individuais, deixou toda a gente consternada por ter derrubado o Olmo do Terreiro. Tão frondoso era que a sua copa cobria, praticamente, todo o Largo. E a consternação foi tal, que o povo lhe dedicou uns versos que terminavam assim: “Ó homens, não choreis mais / Pelo Olmo do Terreiro,/ Que caiu ...não volta mais!”

Mas voltou! Graças à tenacidade do então secretário da Junta, António Gaspar, que conseguiu o empréstimo do macaco que nas Oficinas do Pocinho estava destinado a levantar locomotivas. E o Olmo, após um grande desbastamento, foi erguido com a ajuda de novos, de velhos e rodeado dum pequeno muro. E durante cerca de meio século, continuou a abrigar todos os que procuravam a sua generosa sombra.

Foi neste mesmo ano que chegou às Mós a “febre do minério” que viria a inverter o acentuado decréscimo demográfico verificado na década anterior. Com o deflagrar da 2ª Guerra Mundial, a grande maioria dos agricultores mosenses virou volframista. E para além de residentes, esta opção viria a ser tomada, também, por alguns ausentes há vários anos, que vieram em busca do “eldorado”. Portanto, uma das primeiras e mais significativas consequências da “febre do minério” foi o aumento da população residente, que terá crescido cerca de 40%, ultrapassando um total de mil habitantes. Mas este histórico e provisório crescimento populacional ficou a dever-se menos ao retorno de mosenses e mais à fixação (quase toda transitória) de várias dezenas de famílias oriundas de zonas mais populosas do Alto Douro. Os seus homens vieram para trabalhar, sobretudo, na construção civil, já que naqueles breves quatro anos se construíram ou reconstruíram mais casas do que anteriormente acontecera em 2 ou 3 séculos da multissecular história da freguesia das Mós.

José Gomes Quadrado

07 junho 2007

Fotografias do (Re)Encontro

(Para ver as fotografias, clique na foto)

04 junho 2007

Os "craques" das Mós

Para aqueles que dizem que não há “craques” nas Mós, aqui está a equipa que participou no I Torneio de Futsal “Liberdade e Amizade" realizado no Pavilhão Gimnodesportivo de Vila Nova de Fozcoa nas comemorações do 25 de Abril.

"O torneio foi criado sobretudo a pensar numa perspectiva de confraternização entre as associações do Concelho. Os critérios de participação exigiam, por isso, que nenhum dos participantes fosse atleta federado e que tivesse idade superior a dezasseis anos." (1)

É só vedetas! O problema é que a época está a chegar ao fim e o assédio aos atletas tem sido grande!

(1) e foto - Boletim Municipal

C.A.C.

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